
Insônia
São duas e meia da manhã de um sábado e não consigo dormir.
Não posso inventar um sono que não tenho. Não tenho esse poder.
Que fantasma é esse que me rouba a noite e mata minha manhã?
Que lembranças arrancaram-me de Orfeu
E levaram a escuridão tão desejada, tão necessária?
Só o que me salva nesse momento é a doce lembrança dela.
E essa lembrança sustenta minha insônia.
Troco a bandeira, abandono a batalha,
Dormir nunca mais,
Só em pensar nela sou capaz.
E agora gosto da idéia de sonhar acordado.
Minha mente enche-se de uma alegria maior.
É isso. O destino, meu amigo fiel, quis que eu sonhasse melhor, à janela.
Impôs, meu amigo, que eu me deliciasse com a doce imagem dela,
Não em sonhos que trazem imagens irreais,
Mas acordado, como alguém sonhou jamais.
Livrou-me dos dragões o destino,
Trocou-os por lembranças de amor sem tino.
Bendito seja o deus dos que não dormem,
(Há de ter algum) que me presenteia como só a um homem,
Bendita seja ela, os doces cabelos dela,
(São lindos e perfumados) vejo-a agora sob a luz da arandela.
Benditas sejam as noites em claro,
Por que, tendo o silêncio como aliado,
No escuro enxergo como um danado,
E gosto mais ainda dela,
E me sinto mais perto dela,
E aquela onda azul invade novamente minha alma,
Preenchendo de uma vez minha noite alva.