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Quando eu morrer

 

Quando eu morrer, querida, quero que me esqueça logo.
Não alimente uma presença agora impossível.
Lembre-se que fui muito feliz enquanto vivi
E que tive mais sorte do que almejava.
Quando eu morrer, minha flor do campo,
Procure logo por outros amigos.
Não regue um canteiro onde não há mais flores,
Não alimente um túmulo de amores.
Se eu morrer cedo, meu doce,
Não quero que tenha saudades de mim.
Não queime lenha com quem não sente mais frio;
Pois eu estarei acima de todas as sensações.
Mas eu queria, minha flor, queria muito
Poder acreditar que quando eu morrer
Eu ainda poderia olhar por você,
Defender você do frio e do vento,
Lhe ajudar a arar os campos como sempre fiz,
Poder passar a mão em seus cabelos perfumados,
Sentar à varanda e falar de muitas coisas,
Tomar com você aquele vinho e depois
Deitar no chão e lhe amar mais uma vez.
Eu queria, minha flor do campo,
Eu queria.