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Velhice

 

Saio lá fora e sinto na face a brisa fria.
O vento gelado, (onde antes se escondia?)
Corta meu velho rosto pelo tempo marcado
Por quem (nunca entendi!) não fui perdoado.

Saio lá fora e o frio castiga meu rosto
Vermelho, queimado, (já fui moço?).
Não me lembro de meu tempo de infância
Em que (acredito) como toda criança,
Brincava ao sol e ao vento quando cria
Na eternidade que prolongaria para sempre o dia
E que a vida não era jamais finda
Como a luz do Sol que sempre vinha
Mesmo que morresse por alguns instantes
Mas que retornava mais forte ainda do que antes.

Hoje saio lá fora e, gélido, o vento
Que antes me acolhia, agora reclama o tempo.
(O passo lento e impreciso
É menos do que quero e preciso.)

Saio lá fora e me vejo por dentro.
Um dia, ocupei do universo o centro.
Hoje, o que me espera é a noite fria.
Anoitece mais cedo e me esqueço a cada dia.