Por que esta homepage?

Por vinte e nove anos tenho sido um professor de física, de computação, de astronomia e de ciências em escolas de ensino médio e pré-vestibulares. Tive a felicidade de encontrar dois grandes companheiros em minha carreira, os professores Sezar e César, com os quais escrevi uma coleção de ciências chamada "Ciências - Entendendo a Natureza" e que fez de mim professor de milhares e milhares de jovens de todo o Brasil.

Desde garoto gosto de olhar o céu. Fiz para mim mesmo aquelas perguntas clássicas de toda criança: "o universo tem fim?", "como surgiu a vida?", "será que um dia o universo irá desaparecer?", além de muitas outras. Acho que aprendi algumas coisas em astronomia. Em especial tenho acompanhado eclipses totais do Sol, um fenômeno natural extremamente interessante. Pude ver quatro deles (Tefé-AM em 91, Chuí-RS em 92, Foz do Iguaçu-Pr em 94 e Aruba em 98) e conto ver outros ainda. Neste site você encontrará o  relatório de cobertura de um desses eclipses, o de 1994.


Foto do eclipse solar de 1994 - Foz do Iguaçu - Brasil


Fernando Pessoa caminhando pelas
ruas de Lisboa.

Poesias também sempre me atraíram muito e tenho consumido alguns Fernandos-Pessoas de nossa literatura. Vejo a leitura de poesia como um certo exercício de auto-conhecimento. Quando lemos e gostamos de um poema, sentimos que ele foi feito para nós e ele desperta sentimentos dentro de nós que muitas vezes nem conhecíamos. Vejam o que escreveu o prof. Carlos Felipe Moises, da USP quando começou a ler F. Pessoa em sua juventude: "Tive a sensação de que minhas fantasias, meus segredos, as inquietações que eu não tinha coragem ou não era capaz de encarar estavam todos ali, desvendados pelo poeta. Fernando Pessoa sabia da minha realidade, a de dentro e a de fora, melhor e mais fundo do que eu próprio" (Moises, Carlos Felipe - 1996 - in "Roteiro de Leitura: Mensagem de Fernando Pessoa" - Ed. Ática - SP).
O mundo pareceu-me sempre fantástico, maravilhoso e não conheço ninguém que o tenha enxergado com tanta magia como o argentino Jorge Luis Borges, talvez o maior escritor do  século XX. Quem ler com atenção o conto "A Biblioteca de Babel" há de concordar comigo. Contos como "Funes, o memorioso", "O Aleph", "O Outro", "O jardim dos caminhos que se bifurcam", presentes na obra de Borges, são verdadeiras jóias da literatura. Leia também aqui "A Casa de Astérion" e um exercício borgeano que escrevi em espanhol chamado "El pozo de plata".
A absoluta incompreensão da morte criou em mim um interesse também por civilizações antigas como a grega, a egípcia e a maia. Não perdôo o tempo pelo que ele nos faz. Nossa memória, única possibilidade de real imortalidade, é perseguida e destruída por ele de modo voraz. E as ruínas de antigas civilizações são marcas indeléveis desta destruição, do esforço das eras em apagar nossa memória. Ainda assim, continuamos a construir cidades e monumentos e a tentar resgatar nossa memória apagada, ancorados na crença de uma imortalidade que não virá jamais.
A dificuldade de entender o universo talvez tenha feito com que eu enxergasse em Salvador Dali uma porta para a sua compreensão através do seu "método crítico-paranóico". Gosto de pensar que o pintor catalão tenha visto aquilo que não vemos e que ele se esforçou muito para nos mostrar em seus quadros este mundo invisível para nós. Por este motivo, disponibilizei alguns de seus melhores quadros neste site.